Bathymodiolus azoricus

Mexilhão profundo dos Açores (Bathymodiolus azoricus)

Os mexilhões de profundidade (Bathymodiolus) são parentes distantes do nosso mexilhão costeiro (Mytilus edulis). As espécies deste género formam agregados importantes nas zonas abissais onde os fluidos frios ou quentes são expelidos do subsolo marinho. O mexilhão profundo dos Açores pode atingir 15 cm de comprimento.

Estes mexilhões de profundidade estão sempre associados por uma simbiose, a bactérias que vivem dentro das células das brânquias, e que são capazes de sintetizar matéria orgânica utilizando o dióxido de carbono dissolvido e a energia química proveniente da oxidação dos compostos minerais (sulfureto de hidrogénio ou metano), assim como as plantas utilizam a energia solar. Estes mexilhões agarram-se ao substrato por sólidos filamentos de ancoragem (bissus). No entanto, contrário ao que se pensa, são relativamente móveis e deslocam-se rapidamente utilizando o pé extensível.

 

Camarão cego Rimicaris exoculata

Este camarão faz parte da família Alvinocarididae, descrita nos anos 80, para reagrupar a maior parte dos camarões descobertos nos campos hidrotermais do Atlântico e Pacifico. Este camarão cego nunca foi encontrado no Pacifico. Forma enxames de várias dezenas de milhares de indivíduos (estima-se 2500 indivíduos/m2), agrupados nas paredes das chaminés activas de vários locais hidrotermais da dorsal médio-Atlântica, onde a temperatura do fluido hidrotermal varia entre 10 e 30°C.

Não tem olhos. No dorso, vemos um tecido branco em forma de V, que alguns cientistas descrevem como olho modificado. Outros, acham que um órgão de visão, num meio onde a escuridão é total, não tem nenhuma utilidade, e que este órgão terá antes uma função fisiológica. Este camarão tem também um modo de vida misterioso. Não é carnívoro como os outros camarões. Ele ingere partículas minerais e bactérias que se encontram no fluido emitido pelas chaminés activas. Outro facto estranho, é que as suas peças bucais são enormes, e são cobertas por um tapete bacteriano muito denso. Estas bactérias fazem possivelmente parte da sua alimentação. Muitos destes comportamentos misteriosos estão agora a ser estudados por cientistas.

 

Mirocaris fortunata

Ainda não tem nome vulgar. Esta espécie existe apenas nos campos hidrotermais da dorsal médio atlântica. Recentemente foi descoberto uma outra espécie do mesmo género (Mirocaris indica) num sítio hidrotermal do Oceano Indico (próximo da Ilha Rodrigues)

Mais pequeno do que a espécie acima descrita (cerca de 3 cm de comprimento), encontramo-los em grupos ao longo das depressões formadas pelas chaminés activas entre 5 a 10ºC., ou sobre os leitos de mexilhões. Alimenta-se de restos orgânicos e pequenos crustáceos. Alguns indivíduos afastam-se alguns metros das zonas activas. São predados por peixes e hidrozoários (espécie de medusas fixadas à rochas por um pólipo).